Meia-Noite em Paris

Meia-Noite em Paris

meia noite em paris cena na casa de monet.jpg “Isto é inacreditável. Olhe só! Não há cidade igual no mundo. Nunca houve!”. As palavras de Gil Pender (Owen Wilson) no filme Meia-Noite em Paris entregam a paixão do roteirista de Hollywood, e potencial escritor, pela capital francesa. No caso dele (um americano de Pasadena, Califórnia), e de muita gente pelo mundo (entre os quais, eu me incluo), não se trata de uma paixão pela Cidade Luz de qualquer época, mas sim, por aquela da década de 1920, descrita por Ernest Hemingway no livro “Paris é uma Festa”. Para mim, o que completa a fascinação por este filme é o fato dele ter sido ideia de outro apaixonado pela trupe da ‘Geração Perdida’ e um dos melhores diretores de cinema que existe: Woody Allen. Por isso tudo, visitar as locações do filme em Paris foi a realização de um sonho!

Os degraus da Igreja St.-Étienne-du-Mont
Gil tem tanto prazer em descobrir informações sobre os lugares que ambientaram as histórias dos escritores, pintores e artistas da década de 1920, que acaba ganhando um presente: voltar ao passado e conhecer os seus ídolos. Isto acontece numa noite, quando ele está perdido e senta-se nos degraus da Igreja St.-Étienne-du-Mont (Rue Descartes, 30; metrô Cardinal Lemoine). Tão logo o sino da igreja acusa as badaladas da meia-noite, um Peugeot antigo para e os seus passageiros convidam a Gil para uma rodada pelas festas da cidade. Os degraus da igreja viraram ponto de peregrinação dos fãs do filme (a minha foto, por exemplo, foi tirada por um americano). A calçada da frente do centro religioso, no entanto, é tomada por outro tipo de público: os estudantes do Lycée Henry IV, uma escola frequentada pela elite francesa.

A vista da rue de la Montagne Sainte-Geneviève
Desejando regressar ao passado, Gil repete a experiência e volta aos degraus da St.Étienne-du-Mont por noites seguidas. Lá, enquanto aguarda a chegada do veículo mágico que o transportará no tempo, ele olha para a charmosa rue de la Montagne Sainte-Geneviève (foto ao lado). Para os fãs de Ernest Hemingway - como eu sou - um fato curioso é saber que, anos antes, o filme “E Agora Brilha o Sol”, de 1957 e inspirado no livro “O Sol Também Se Levanta”, com Tyrone Power e Ava Gardner nos papéis principais, usou a mesma rua para ambientar a cena do Bal Musete. Eu penso que esta referência cinematográfica tenha inspirado Woody Allen (fã confesso de Hemingway) na escolha da rua como a locação.

Fitzgerald e Hemingway no Polidor
Um dos momentos mais deliciosos do filme é o encontro entre Gil e Hemingway (Corey Stoll), apresentados por ninguém menos que o excelente escritor, Scott Fitzgerald (Tom Hiddleston). O lugar onde isto acontece é o Restaurant Polidor (Rue Monsier Le Prince, 41, perto do metrô Odeon). Ao deixar o lugar, Gil precisa retornar para combinar onde deve encontrar o escritor de novo e tem a ‘surpresa’ de ver que o antigo restaurante fora transformando numa lavandeira. Posso garantir a todos –risos!- que isso não aconteceu (confira na foto ao lado, tirada em setembro de 2015). A sensação que eu tive ao ficar de frente para o Polidor foi de nostalgia. Parecia que, a qualquer momento, Woody Allen (cuja foto está estampada num dos vidros da fachada do restaurante) chegaria ali, com os atores, e começaria a filmar.

Colocando o pensamento em ordem no Musée Rodin
Com suas idas ao passado e voltas ao presente, Gil se vê dividido entre duas paixões: a noiva, Inez (Rachel McAdams), e a modelo e estudante de moda, Adriana (Marion Cotillard), amante de Picasso. Um dos lugares aonde ele vai buscar respostas para o seu problema é no Musée Rodin (Rue de Varenne, 79; metrô Varenne). Lá, aos pés da estátua ‘O Pensador’ (foto), ele conversa com a guia do museu (Carla Bruni), sobre a vida amorosa de Rodin com a esposa, Rose, e a amante, Camille. A guia o ajuda prontamente, visto que, numa situação anterior, o americano a apoiou contra o intelectual ‘pedante’ Paul (Michael Sheen). O museu foi instalado na mansão aonde o escultor viveu, prédio conhecido como Hôtel Biron: um lugar realmente inspirador, com um lindo jardim, repleto de esculturas de Rodin.

Monet e Picasso no Musée de l´Orangerie
Falando da relação entre Gil e Paul, o primeiro, cansado de ser esnobado pela noiva, que elogia a inteligência e cultura do segundo o tempo todo, vê a sua chance de mostrar que também conhece Arte e História ao se deparar com a pintura que Picasso fez –supostamente- da amante, Adriana, exposta no Musée de l´Orangerie (Jardin des Tuileries, Place de la Concorde). Esta é aquela obra que tem ‘universalidade, mas não objetividade', segundo Gertrude Stein, no filme. Não vi esse quadro de Picasso, mas pude – assim como os dois casais do filme – me encantar com as “Nymphéas” (foto), as imensas obras de Claude Monet, onde ele eterniza as plantas aquáticas do jardim da sua casa em Gyverny (por sinal, a primeira locação do filme com personagens da trama. É lá, onde Gil fala para Inez, a frase que abre este post). No l´Orangerie, pode-se apreciar obras de Renoir, Cézanne (o favorito de Hemingway) e de Maurice Utrillo (o meu favorito na França), dentre outros mestres da pintura.

Em clima de romance na Place Delphine
Quando vi o filme pela primeira vez – e em todas as outras ocasiões seguintes – desejei saber aonde era aquele charmoso lugar em que Gil e Adriana conversam, antes de serem transportados para a Belle Époque, dançarem no Maxim´s (Rue Royale, 5) e fazerem companhia Lautrec, Degas e Gaugin no Moulin Rouge (Boulevard de Clichy, 82). O nome do lugar é Place Delphine e os bancos aonde eles sentam-se, quando Gil dá um par de brincos para Adriana, pertencem ao Restaurant Paul (Rue Henri-Robert, 15). O clima criado pelas direções de Arte e Fotografia deixou a praça com um aspecto de lugar de sonho. Fiquei sentada por um bom tempo por ali, repassando a cena do filme na minha memória.

Um inesperado encontro na Ponte Alexander III
De volta ao presente, Gil coloca Inez contra a parede, termina o noivado e decide que vai morar em Paris. Para colocar as ideias em ordem, ele caminha pelas ruas da cidade e vai parar, à meia-noite, na Ponte Alexander III (foto). Ali, enquanto pensa se deve voltar ao passado ou não, ele reencontra Gabrielle (Léa Seydoux), uma francesa que ama Paris tanto quanto ele e que não se importa em caminhar sob a chuva. O clima de romance, então, paira no ar. A Ponte Alexander III é um dos cenários mais românticos e disputados para fotos de recém-casados na cidade. A qualquer hora do dia, seja manhã, tarde ou noite, casais disputam espaço com turistas em busca das fotos perfeitas.

Créditos
Título original (Ano): Midnight in Paris (2010)
Direção e roteiro de Woody Allen
Location Manager: Antonin Depardieu
Fotos do filme: Mediapro, Versatil e Gravier Productions
Texto e fotos das locações: Fran Mateus
Visitas às locações feitas em: Setembro de 2015

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